No presente ano lectivo tenho como primeiro objectivo não permitir que o clima que se abateu sobre o corpo docente da escola venha a afectar o meu desempenho profissional. Coloco este objectivo em primeiro lugar porque acredito que o bem-estar físico, mental e psicológico do professor é fundamental para o sucesso do seu trabalho junto de alunos adolescentes. Considero que esbracejamos num mar de condicionalismos adversos mas estou determinada a fazer o melhor para não ver descer os níveis de sucesso que, até esta data, consegui, o que é, já de si, neste momento, um objectivo bastante ambicioso.
Na data em que me é exigida a definição de objectivos, só posso afirmar que pretendo manter os níveis de sucesso que desde que sou professor traço para as minhas turmas no início de cada ano lectivo, e que nunca pode ser abaixo dos 100%. Passo a explicar o que, parecendo-me bastante óbvio, no actual cinzentismo demolidor pode não ser bem compreendido.
É dado aceite que a grande maioria dos alunos (do 3º ciclo ou do secundário) chega a este patamar com um elevado défice de competências acumulado que, só por excepção, poderá ser resolvido na e pela escola. Parece-me, aqui, inoportuno reflectir sobre causas que são anteriores e exteriores à nossa escola e ao meu trabalho.
Ao aceitarmos a inscrição de um aluno num determinado nível de ensino – conscientes, embora, de que ele não reúne os pré-requisitos mínimos desejáveis – estamos a conceder-lhe o direito à progressão e a comprometer-nos com ele nesse desafio. Enquanto professora da escola é nesse momento que se estabelece o meu compromisso de garantir aos meus alunos todas as condições ao meu alcance para a progressão de ano.
Penso eu que, ao traçar – por hipótese - uma meta de 95% de sucesso para uma turma, estaria, implicitamente, a expectar que 5% dos alunos com quem vou trabalhar não fossem bem sucedidos. Os alunos que tenho perante mim, na turma, não são percentagens, são pessoas. Sabendo-se que as expectativas determinam, de certa forma, os resultados e que, os alunos-pessoas com os quais me comprometo contam comigo, como eu conto com eles, para que os resultados não nos decepcionem.
- coloco a tónica da minha actividade docente no reforço da motivação, da auto-estima, e da confiança;
- valorizo todo o conhecimento adquirido anteriormente;
- procuro desenvolver nos meus alunos capacidades, atitudes e comportamentos de maior autonomia na regulação dos seus comportamentos escolares;
. planifico todas as actividades tendo em conta “as características dos alunos, a qualidade das suas aprendizagens anteriores e as condições socioeducativas em que vivem”;
- “adopto metodologias e estratégias ajustadas às características dos alunos e às competências a desenvolver”;
- avalio em função da progressão das aprendizagens.
Estarei, como sempre estive, atento a situações que indiciem desmotivação, desinteresse e abandono escolar, não em função das metas definidas pela escola ou pelo ministério - menos ainda tendo em mente a minha avaliação - mas porque em cada aluno existe uma pessoa e um futuro. Actuarei da forma que cada situação requerer.
Como as classificações dos professores estão limitadas por quotas, duvido que vá ter "muito bom" ou "excelente", pois sou o professor mais novo do meu departamento, ficando-me pelo "bom". Assim, muito possivelmente vou ter uma avaliação abaixo daquela que é real, apenas porque estou fora da quota estabelecida! Afirmo isto, ainda antes de ser avaliado, porque acredito nas minhas capacidades, sou apaixonado pelo que faço e como tal empenhado e motivado (embora essa motivação ande em montanha russa, sempre a subir e descer) e porque também acredito nas capacidades dos meus alunos.
Deste modo, vou ser prejudicado quando concorrer, pois como não tive "muito bom" ou "excelente" não vou ter correspondete bonificação e sou reencaminhado para o final da lista, após 3 anos a lutar para subir uns quantos lugares nela!
Por tudo isto, pelo fim de semana que passei em frente ao computador a ler papelada e decretos-lei, sendo "forçado" a relegar para segundo plano o planeamento das minhas aulas, fazendo com que este aconteça em cima do joelho, muito obrigado sra. Ministra por mais uma tentativa de comprometer o meu futuro!
A minha única esperança por vezes centra-se na crença que, como tantas outras coisas, isto é um ciclo e que melhores tempos virão! Senão, em poucos anos arrependo-me da profissão que escolhi para mim, que com muito orgulho proclamo e defendo, sabendo que como em todas as profissões, existem bons e maus profissionais, mas se está a ler este post, pode agradecê-lo ao professor que a(o) ensinou a ler!
Sou professor!!!
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